Juntos por Brumadinho, juntos contra o mosquito

Um pequeno kit, em uma sacola laranja, contendo quatro produtos como spray, repelente de pele, refis de tomada contra mosquitos. Em uma área urbana como Brumadinho (MG), vizinha a Belo Horizonte e parte da terceira maior região metropolitana do Brasil, esse não deveria ser, em tempos normais, material de urgência humanitária ou primeira necessidade. Porém, diante de uma das maiores epidemias de Dengue da história de Minas Gerais, com 65 vítimas fatais e mais de 340 mil casos prováveis, a entrega desses produtos à população pode ser realmente uma parte fundamental da sua vida. Porque infelizmente, a chance de morte pela doença, transmitida pelo Aedes Aegypti, também está perto.

Na ação da Cruz Vermelha Brasileira realizada neste sábado (1) em Brumadinho, voluntários da instituição entregaram mais de 3.600 produtos da campanha “Juntos Contra o Mosquito”, realizada em parceria com a empresa SBP em diversas cidades do Brasil. Quem levou o kit para casa foi gente como Leni Evangelista, 54 anos, secretária, que perdeu uma amiga para a doença na semana passada. “A tristeza é grande, e a gente tem mais motivo ainda para se proteger”, afirmou. Moradora do bairro Progresso, onde foi realizada a atividade, ela levou mais três familiares para realizar o cadastro junto à Cruz Vermelha e receber o material.

Uma equipe de voluntários da instituição vindos de Belo Horizonte e também do município de Mariana passou todo o dia em contato com essas pessoas. Também foram oferecidos atendimentos médicos para aferição da pressão arterial, medição da glicemia no sangue, atividades de recreação e até um teatro de fantoches, para as crianças, com personagens inspirados no combate à Dengue e na proteção dos lares. O evento teve a participação do presidente nacional da Cruz Vermelha Brasileira, Júlio Cals, e dos organizadores da campanha “Juntos contra o mosquito”.

Alguns moradores ficaram por muitas horas junto às tendas da Cruz Vermelha, recebendo os serviços. Outros tiveram de passar por lá correndo, como Marcelo Oliveira, 52 anos, que não podia ficar muito tempo longe de casa. O motivo? Marcelo tem a mulher e os dois filhos pequenos infectados pela Dengue. “É uma doença horrível, minha vida está completamente mudada. As crianças têm muitas dores, chegam a vomitar sangue, tudo o que eu faço é cuidar e esperar a melhora”, afirmou. A secretária Leni também está assustada, mas se disse acolhida pela iniciativa da Cruz Vermelha e da SBP. “Eu cheguei a sonhar que fosse feito um evento como esse. Agora só posso agradecer a todos que vieram aqui voluntariamente”, declarou.

NÚMEROS

O projeto é realizado em oito estados brasileiros e já atingiu mais de 7.230 famílias. Parte do trabalho é o cadastro dos moradores a partir do aplicativo próprio ODK, para monitoramento e balanço dos casos. Mais de 500 voluntários da Cruz Vermelha, no Brasil, já participaram até aqui da iniciativa. Em Minas Gerais, a campanha é realizada nas cidades de Brumadinho e Rio Doce. Além disso, a filial Minas Gerais da Cruz Vermelha Brasileira também promoveu uma ação de combate à Dengue na região do Barreiro, em Belo Horizonte, uma das mais afetadas da capital. Ao total, em Minas já foram entregues mais de 13 mil produtos.

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