Cruz Vermelha entrega mais de dois mil kits contra a Dengue na região do Barreiro, em BH

A técnica de enfermagem Cíntia Adriane, 29 anos, trabalha em hospital da rede particular de Belo Horizonte, uma das cidades mais afetadas pela epidemia de Dengue no Brasil. Nas últimas semanas, enquanto os números da doença disparavam na capital mineira em direção aos 15 mil casos comprovados, Cíntia se desdobrava nos plantões do trabalho, pela madrugada, conferindo medicamentos e sinais de saúde de pacientes de quarto em quarto. Foi quando uma dor alcançou seus dois calcanhares, próxima às articulações “De repente fica impossível andar”, explica. Ainda no trabalho, a dor se estendeu para os pulsos, costas e, finalmente, para o corpo inteiro. Os sintomas eram claros. Cíntia também estava, ela mesma, com Dengue.

Cíntia foi uma das mais de duas mil pessoas que saíram de casa na manhã deste sábado (18), para serem atendidas na ação de urgência da Cruz Vermelha Brasileira – Filial Minas Gerais  para o combate à Dengue na região do Barreiro, uma das mais populosas e mais afetadas pelo mosquito Aedes Aegypti na cidade.  As tendas da instituição foram montadas na Escola Municipal Pólo de Educação Integrada, ao lado do Centro de Saúde Barreiro de Cima. Mais de trinta voluntários da instituição se juntaram ao esforço humanitário para tentar controlar a proliferação do inseto e das contaminações que já causaram seis mortes em Belo Horizonte e quarenta no estado, até este fim de semana. A técnica de enfermagem que contraiu a doença é moradora do bairro Araguaia e conta que, além dela, sua mãe também foi contaminada.

Essa foi também a sina de Nádia Cristina da Silva, feirante, 50 anos, moradora do bairro Independência que, além de ter Dengue, viu a mãe e ainda por cima a irmã caírem de cama com o mesmo diagnóstico. Três mulheres da mesma casa vítimas da mesma epidemia. Para piorar, algumas delas foram contaminadas mais de uma vez “É uma situação horrível. Em casa não há como ficar por causa da dor. Dentro dos postos de saúde, já está tudo ficando congestionado, com gente precisando tomar soro”, relata. A Secretaria de Saúde de Belo Horizonte decidiu, na última semana, abrir algumas unidades de atendimento à doença também no fim de semana, para dar conta da demanda.

Os kits entregues pela Cruz Vermelha contém produtos obtidos em parceria com a empresa SBP para o controle do Aedes Aegypti. São repelentes, difusores, produtos para a pele, além de material informativo com conteúdos que explicam também os riscos da Chicungunya e Zika, transmitidas pelo mesmo mosquito. Foram distribuídas mais de 2100 unidades. Além disso, os voluntários da Cruz Vermelha realizaram o cadastro de todas as famílias a partir do aplicativo  próprio ODK, que permite o registro de informações de saúde, das condições de vulnerabilidade e conhecimento da doença em cada domicílio. O conteúdo permite o controle por georeferenciamento, auxiliando no combate à doença.

A ação da CVB-MG no Barreiro atraiu filas de moradores dos bairros próximos e movimentou a região. Além do cadastro e doação de produtos, a Cruz Vermelha ofereceu à população serviços de saúde como aferição de pressão arterial e medição de glicose no sangue. O militar Glauco Almeida, 52 anos, morador do bairro Betânia, passou pelas tendas com pressa, por precisava voltar para casa e cuidar do pai, que está com Dengue. “É uma situação difícil, ele tem 79 anos, tem problemas de coração, por isso a doença complica mais”, relata. Segundo o morador, não há como vencer essa situação, em Belo Horizonte, se não for por meio de um esforço coletivo. “Não adianta apenas uma ou duas casas cuidarem da limpeza, combaterem o mosquito. Se o vizinho descuida, o mosquito está lá do mesmo jeito, por isso achei importante esse tipo de trabalho aqui hoje”, elogiou.

A Cruz Vermelha Brasileira – Filial Minas Gerais participa também da ação Juntos Contra o Mosquito, parceria do Órgão Central da instiuição e da empresa SBP. Em Minas Gerais, já foram desenvolvidas ações nos municípios de Brumadinho e Rio Doce. Segundo o último boletim de Secretaria Estadual de Saúde, Minas conta com 247 mil casos possíveis da doença. Segundo o presidente da CVB-MG, José Aloizio Gomes, novas ações podem ser realizadas na capital nas próximas semanas.

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