História da CVB-MG

A Cruz Vermelha Brasileira Filial Minas Gerais (CVB-MG) foi criada em 22 de outubro de 1914, no momento em que o estado começava a desenvolver suas cidades, em especial a capital Belo Horizonte. Era época de crescimento da população, com o surgimento de novas doenças e desafios para a saúde pública. A CVB-MG teve papel central na consolidação do sistema de saúde mineiro nas primeiras décadas do século XX.

 

O Hospital da Cruz Vermelha, sediado na Alameda Ezequiel Dias, foi pioneiro em iniciativas como o ambulatório dedicado à maternidade e os estudos na área da ginecologia. A Escola de Enfermagem da CVB-MG foi criada na década de 1940, sendo uma das primeiras registradas em todo o Brasil.

A Cruz Vermelha em Minas Gerais foi quem levou a solidariedade dos mineiros para os campos de batalha da Europa, na década de 1940, assim que o Brasil de Getúlio Vargas decretou sua participação no conflito. Enfermeiras, voluntárias e voluntários do estado conheceram os horrores da guerra na Itália, auxiliando os feridos das tropas brasileiras, inimigas e a população local. Os relatos e registros da CVB-MG durante a guerra são uma das memórias mais valiosas sobre a participação de Minas Gerais naquela que foi considerada a maior guerra de todos os tempos.

A história da Cruz Vermelha em Minas se confunde com a história de um dos mineiros mais importantes do século XX: Clóvis Salgado. Responsável por erguer a instituição e sendo seu presidente por mais de 25 anos, também foi governador de Minas Gerais, ministro da Educação, secretário estadual de Saúde e diretor da Faculdade de Medicina da UFMG.

 

Seu legado permitiu o intercâmbio entre as áreas da saúde, da educação e da cultura em Minas Gerais. Além da Cruz Vermelha, deixou para o estado patrimônios como o Palácio das Artes e o Teatro Marília.

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A sede da Cruz Vermelha, na região hospitalar de Belo Horizonte, teve importância para o desenvolvimento da medicina, com o aperfeiçoamento de procedimentos, tecnologias e mesmo a criação de técnicas inéditas. Entre elas, tem destaque a Colposcopia (foto), desenvolvida a partir da Cruz Vermelha em Minas Gerais e que ajuda a prevenir o câncer de colo de útero. Atualmente, o exame protege a saúde e preserva a vida de milhares de mulheres em todo o Brasil.

Diversos momentos de crise humanitária, no Brasil e no exterior, contaram com o protagonismo solidário do povo mineiro por meio da sua Cruz Vermelha. Em meio ao choque de tragédias como o desabamento da Vila Barraginha em 1981, o Tsunami da Ásia em 2005, as chuvas de Santa Catarina em 2008 e na região serrana do Rio de Janeiro de 2011, a CVB-MG cumpriu seu papel catalisando milhares de voluntários, colhendo e distribuindo milhares de toneladas doações que foram enviadas às regiões afetadas. Além de atender diretamente aqueles em situação de sofrimento, tais ações sempre reforçaram a importância do emblema, valores e função da Cruz Vermelha, junto à população de Minas Gerais.

Desde 1976, a Cruz Vermelha definiu o atendimento à juventude, em especial aquela em situação de vulnerabilidade social, como uma de suas prioridades. O resultado foi o desenvolvimento de um dos mais antigos programas do gênero no Brasil, o Ação Jovem, com quase quarenta anos de atividades. O projeto , que envolve a inclusão social pelo viés da cidadania profissionalização e acesso ao mercado de trabalho, conta historicamente com a parceria de grandes instituições parceiras como a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG).

A Cruz Vermelha em Minas Gerais é a principal referência no treinamento especializado da população em geral para resgate e primeiros socorros. Com vasta experiência e sintonia aos protocolos internacionais de atendimento, ao longo dos anos, a instituição chegou, inclusive, a criar metodologias próprias como o “Kit Salve”, idealizado por seu ex-presidente Padre Sérgio Palombo Magalhães, na década de 1990. A CVB-MGfoié uma das primeiras instituições do Brasil a implantar um treinamento completo para resgate em Situações Especiais, como desastres, terremotos, incêndios, desabamentos, envolvendo múltiplas vítimas, dedicado ao grande público.

Ao longo dos anos a Cruz Vermelha em Minas sempre diversificou sua atuação junto à população vulnerável do estado, buscando diferentes formas e projetos para a promoção do desenvolvimento humano e comunitário. Com o crescimento da pobreza extrema, a partir da década de 1980, a instituição realizou iniciativas como a Operação Araranjuba, no Vale do Jequitinhonha (MG). Já nas últimas décadas, tonificaram-se projetos como a Ação Cidadã, maratona de serviços de saúde e cidadania em regiões de vulnerabilidade, o Grupo Aconchego, referência no atendimento da terceira idade na capital mineira, o Dia Mundial do Doador de Sangue, o Dia Mundial do Voluntariado, projetos voltados a crianças, adolescentes e à família.