História da Cruz Vermelha

Durante a segunda guerra de independência italiana, os arredores de Solferino, no norte do país, foram palco de uma terrível batalha entre austríacos, franceses e sardo-piamonteses, no dia 24 de junho de 1859.

 

Mais de 200 mil soldados entraram em confronto, resultando em mais de seis mil mortos  e mais de 35 mil feridos  ou desaparecidos de acordo com os registros de época. A Batalha de Solferino foi considerada a maior da Europa desde a Batalha de Leipzig, em 1813.

 

As tropas da aliança francesa e sardo-piamontesa, comandadas por Napoleão III e Victor Emmanuel II derrotaram as forças austríacas de Franz Joseph I, após 15 horas de combate violento, com o uso de baionetas, espingardas e canhões.

Jean Henry Dunant era um jovem comerciante suíço que estava em Solferino no dia da batalha, para tratar de negócios. Quando o combate começou, Dunant viu-se em meio ao fogo cruzado e acompanhou os horrores da guerra naquele local.

 

Ao final da batalha, uma multidão de soldados feridos vagava em busca de ajuda. Comovido, Henry Dunant se juntou ao grupo de moradores voluntários que se organizavam para tratar dos soldados, de ambos os lados, sem fazer distinção de sua nacionalidade.

 

Dunant permaneceu por muitos dias nesse trabalho humanitário. Na igreja de Castiglione, a Chiesa Maggiore, ele ajudou com recursos e esforço físico. Ao ajudar a todos de forma solidária e imparcial, os voluntários inspiraram o surgimento da frase “tutti fratelli” (todos irmãos).

De volta à Suíça, Henry Dunant sentiu-se impactado e mobilizado pelo que aconteceu na Itália. Ele reuniu seus relatos detalhados em um livro, chamado “Recordações de Solferino” e lançado em 1862. Trata-se do primeiro registro de cobertura de uma guerra.

A obra teve grande impacto na Europa. Nela Dunant descreve os horrores que presenciou como o de soldados mutilados, ferimentos de todas as formas, assim como a beleza do trabalho dos voluntários para levar alívio, escrever cartas para as famílias dos feridos, realizar seus últimos desejos em vida.

 

O autor também sugeriu, no texto, que pudesse ser criado um organismo internacional para organizar o trabalho voluntário de assistência médica e humanitária nas guerras, que não fosse ligado a nenhum país ou governo, e que atendesse essas pessoas de forma neutra e segura. Era a semente da Cruz Vermelha.

Em fevereiro de 1863, um grupo de outras quatro pessoas se juntaram a Henry Dunant para levar adiante esses ideais e buscar uma forma de concretizá-los. Foi denominado o “Comitê dos Cinco”, depois “Comitê Internacional para o Cuidado dos Feridos” e por fim “Comitê Internacional da Cruz Vermelha”.

 

Os membros, além de Dunant, eram Gustave Moynieradvogado e presidente da Sociedade de Genebra para o Bem-estar Público; os médicos Louis Appia, que possuía experiência como cirurgião de campo de batalha, e Théodore Maunoir, da Comissão de Higiene e Saúde de Genebra, e o General Dufour.

 

O grupo preparou as bases para o primeiro encontro internacional, com representantes de diversos países, para tratar da ajuda humanitária: a Convenção de Genebra, que aconteceu pela primeira vez em 1864.

O símbolo e nome da Cruz Vermelha foram definidos como uma homenagem a Henry Dunant. Trata-se da bandeira da Suíça, seu país de origem, com as cores invertidas. Ao invés do fundo vermelho com uma cruz branca, o fundo branco com uma cruz vermelha.

 

Em pouco tempo, esse seria um emblema conhecido em todo o mundo, durante as guerras, para sinalizar e proteger o serviço humanitário de ajuda aos feridos. Em tempos de paz, a Cruz Vermelha começou a atuar também como serviço médico na situação de grandes desastres, epidemias de saúde eventos de vulnerabilidade em diversos continentes.

 

A Cruz Vermelha cresceu junto com o desenvolvimento da Saúde Pública e da Enfermagem em todo o planeta. Em 1901, Henry Dunant recebeu o primeiro Prêmio Nobel da Paz pela sua iniciativa.

Marco na história da humanidade, as Convenções de Genebra começaram a ser realizadas em 1864 e passaram a regulamentar as guerras pelo mundo. Os países participantes definiram a proibição da tortura a combatentes, do ataque à população civil, dos maus tratos a prisioneiros na terra ou no mar.

 

A Cruz Vermelha foi escolhida como a organização mundial guardiã do Direito Internacional Humanitário. Sua sede foi estabelecida na Suíça. Todos os países signatários das Convenções de Genebra criaram as suas Sociedades Nacionais de Cruz Vermelha, organizações locais do movimento.

 

Todas as sociedades nacionais reunidas passaram a formar, também, a Federação Internacional da Cruz Vermelha. As Convenções de Genebra ainda foram realizadas nos anos de 1906, 1929 e 1949. Protocolos adicionais foram assinados em 1977 e 2005. Atualmente, 194 países são signatários das convenções, cobrindo todas as regiões do mundo.

No final do século XIX, quando a Cruz Vermelha já se expandia por diversos países e acompanhava os conflitos que aumentavam em número e intensidade, foi admitido também outro símbolo para representar o mesmo movimento.

 

A partir da demanda, principalmente, dos países árabes ou islâmicos, foi criado o emblema da meia lua, ou crescente vermelho, mundialmente oficializado em 1929. Mais de trinta países, atualmente, adotam o Crescente Vermelho para identificar trabalho humanitário.

 

Além disso, em  2005, foi adotado também, internacionalmente, o Cristal Vermelho como emblema adicional.

A Cruz Vermelha Brasileira (CVB) foi fundada em cinco de dezembro de 1908. O movimento chegou ao Brasil sob a condução de Osvaldo Cruz, primeiro presidente nacional da CVB, considerado o patrono da saúde pública no país, e instalou-se na então capital do Rio de Janeiro.

 

A Cruz Vermelha Brasileira participou da constituição da Federação de Sociedade de Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho em 1919. Atualmente a Cruz Vermelha Brasileira possui filiais em quase todos os estados do país e também em diversos municípios.

 

É reconhecida pelo governo brasileiro como sociedade de socorro voluntário, autônoma, auxiliar dos poderes públicos e, em particular, dos serviços militares de saúde, bem como única sociedade nacional da Cruz Vermelha autorizada a exercer suas atividades em todo o território brasileiro.